O Maior Patrimônio
Silvio
Barletta
Dedico estas páginas à minha esposa Débora, aos
meus filhos Filipe, Chrystian e Julieann, aos meus netos, sobrinha, à minha
irmã, aos meus pais, que hoje descansam junto de Deus, e a todos aqueles que
fizeram parte da minha caminhada.
Se um dia estas palavras chegarem às próximas gerações da nossa
família, espero que elas deixem apenas uma certeza: no fim da vida, o que
realmente importa é amar, perdoar, agradecer e cuidar das pessoas que Deus
colocou ao nosso lado.
“Se existe uma riqueza que realmente define quem sou, ela não está
nos bens materiais, mas nas pessoas que Deus colocou em minha vida.”
Ao longo da vida, aprendi que o tempo passa muito mais rápido do que
imaginamos.
Trabalhamos,
enfrentamos dificuldades, realizamos alguns sonhos e deixamos outros pelo
caminho. Mas existe algo que permanece: as pessoas que amamos.
Este
não é um livro sobre conquistas materiais.
É
um relato sincero de um homem comum, com qualidades, defeitos, acertos e erros,
que encontrou na família o verdadeiro sentido da vida.
Ao
longo destas páginas, compartilho momentos de amor, gratidão, saudades, sonhos,
arrependimentos e aprendizados ao lado da mulher da minha vida, dos meus
filhos, netos, sobrinha, pais, irmã e de tantas pessoas que marcaram minha
caminhada.
Não
escrevo para parecer perfeito.
Escrevo
para deixar registrado aquilo que talvez eu nunca tenha conseguido dizer
olhando nos olhos de cada um.
Se
algum dia meus filhos ou meus netos lerem estas páginas, espero que compreendam
uma única verdade:
Tudo o que fiz, mesmo quando errei, foi tentando amar da melhor
forma que eu sabia.
Porque,
no fim das contas, o maior patrimônio que alguém pode construir sempre será a
própria família.
“Há pessoas que passam pela nossa vida. Outras caminham conosco para
sempre.”
Antes de falar de qualquer outra pessoa, preciso falar da mulher da
minha vida: Débora Amaral.
Sou
profundamente grato a Deus por tê-la colocado no meu caminho.
Cheguei até
a escrever no meu blog sobre a forma como nos conhecemos, uma história da qual
gosto de lembrar porque mostra, mais uma vez, o cuidado de Deus com a minha
vida.
Existem
esposas especiais neste mundo.
Mas a
Débora ocupa um lugar que poucas conseguem alcançar.
Depois de
mais de 25 anos de casamento, tenho a certeza de que Deus nos uniu para
construirmos uma vida juntos.
Ela é meu
porto seguro. Minha
companheira. Minha
amiga. Minha
parceira.
É a pessoa
com quem sei que sempre posso contar.
Minha força
nos momentos difíceis. Minha
alegria nos momentos felizes.
Como
qualquer ser humano, ela também tem seus erros, suas teimosias e seus defeitos.
Afinal, quem não tem?
A diferença
é que suas qualidades superam tudo isso com enorme facilidade.
É a pessoa
com quem gosto de viajar, conversar, dar risadas e, às vezes, até discordar,
porque sei que, no final, nosso amor sempre sai fortalecido.
Débora é
uma mulher guerreira, humilde, amorosa e batalhadora.
Sempre
cuidou da nossa casa, da nossa família e também da minha saúde.
Nunca mediu
esforços para manter nossa família unida e próxima de Deus — uma missão que,
muitas vezes, deveria ter sido principalmente minha.
Sua
dedicação quase sempre acontece em silêncio.
Ela não faz
questão de reconhecimento.
Mas eu
vejo. Vejo cada
gesto. Cada
cuidado. Cada
renúncia.
Ela também
é um grande exemplo como filha.
Honra seus
pais com amor, respeito, gratidão e reconhecimento, da mesma forma que sempre
procurei honrar os meus.
Vivemos em
uma época em que a tecnologia e as redes sociais, muitas vezes, acabam
afastando pais e filhos.
Débora
escolheu o caminho contrário. Sempre fez
questão de estar presente. Sempre
valorizou a família.
Muitas
vezes ela não recebe o reconhecimento que merece. Mas eu vejo
tudo.
Tenho muito
orgulho da mulher que ela se tornou ao completar seus 50 anos de vida.
Seria
impossível descrever em palavras o quanto ela significa para mim.
Qualquer
elogio ainda seria pequeno diante da pessoa extraordinária que ela é.
Se Deus me
perguntasse qual foi a maior bênção que recebi nesta vida, sem dúvida uma das
primeiras respostas seria:
Débora
Amaral.
Ao longo da
nossa caminhada enfrentamos momentos felizes, dificuldades, desafios
financeiros, mudanças de cidade, preocupações com os filhos e tantas outras
situações que fazem parte da vida de qualquer família.
Em nenhum
desses momentos ela desistiu.
Continuou
caminhando ao meu lado.
Talvez eu
nunca consiga agradecer tudo o que fez por mim e pela nossa família.
Mas faço
questão de registrar nestas páginas aquilo que talvez eu não consiga dizer com
tanta frequência no dia a dia:
Obrigado.
Obrigado
por acreditar em mim. Obrigado
por cuidar da nossa família. Obrigado
por permanecer ao meu lado.
Obrigado
por ser a mulher que Deus escolheu para caminhar comigo.
Se um dia
nossos filhos e netos lerem este livro, espero que saibam o quanto sua mãe e
sua avó foi importante para que nossa família chegasse até aqui.
Muito do
que construímos tem o seu amor, sua dedicação e seu cuidado.
E, quando
olho para trás, percebo que uma das maiores riquezas que Deus me concedeu não
foi um bem material.
Foi colocar
a Débora em meu caminho.
Essa é uma
bênção pela qual serei eternamente grato.
“Alguns filhos
ensinam os pais a amar de um jeito que eles nem imaginavam existir.”
Minha filha, Julieann
Barletta, carinhosamente chamada de Juh, foi desejada muito antes do
seu nascimento.
Linda, querida e
muito amada, ela chegou para completar ainda mais a nossa família.
Desde pequena
percebi que herdou muitas características da mãe.
É guerreira,
determinada e, quando coloca um objetivo no coração, dificilmente desiste.
Ao mesmo tempo, é
tranquila, reservada e vive com intensidade essa bonita fase da juventude.
Hoje, aos 15 anos,
está descobrindo a vida, construindo seus sonhos e formando sua personalidade.
E, sim… às vezes é
obediente… às vezes… (risos).
Como pai, confesso
que gostaria de ter ainda mais conexão com ela.
Gostaria de
conhecer melhor seus pensamentos, seus sonhos, seus medos e suas preocupações.
Gostaria de
participar ainda mais da sua vida. Ser mais procurado. Ser mais ouvido.
Ter mais
oportunidades de conversar sobre qualquer assunto. Talvez esse seja um
sentimento comum entre muitos pais.
O tempo passa tão
rápido que, quando percebemos, nossos filhos já estão caminhando com as
próprias pernas. Mesmo assim,
continuo tentando estar presente da maneira que posso.
Lembro com carinho
de quando ela tinha aproximadamente 11 anos.
Naquela época ainda
não havia encontrado um esporte com o qual realmente se identificasse.
Foi então que
sugeri o vôlei. No começo ela não
gostou muito da ideia. Recusou. Mas não desisti.
Comecei a criar
pequenas brincadeiras, desafios e atividades para despertar seu interesse.
Sem cobranças. Sem pressão.
Apenas tentando
mostrar que aquele esporte poderia lhe proporcionar momentos felizes.
Pouco a pouco ela
foi se apaixonando pelo vôlei.
Começou a treinar. A evoluir. A se dedicar.
E hoje tenho a
alegria de vê-la atuando em uma equipe de alto rendimento.
Isso enche meu
coração de orgulho.
Talvez ela nunca
imagine o quanto me faz feliz vê-la entrar em quadra.
Cada saque. Cada defesa. Cada ponto
conquistado. Cada vitória. Cada derrota
também.
Porque todas essas
experiências ajudam a formar não apenas uma atleta, mas uma mulher forte para
enfrentar a vida.
Sempre que posso,
acompanho seus jogos. Torço. Vibro. Sofro.
E agradeço a Deus
pela oportunidade de vê-la crescendo.
Às vezes sinto
falta de coisas simples. De um abraço sem
motivo. De uma conversa
mais longa. De passarmos mais
tempo juntos. Talvez seja apenas
o coração de pai falando mais alto.
E acredito que
sempre será assim.
Faço tudo o que
está ao meu alcance — e, muitas vezes, até além dele — para apoiá-la, tanto no
vôlei quanto na vida. Nunca enxerguei o
esporte apenas como uma competição.
Vejo nele uma
escola. Uma oportunidade de
aprender disciplina, respeito, amizade, perseverança e humildade. Esses valores serão
muito mais importantes do que qualquer medalha. Tudo o que faço por
ela é movido pelo amor.
Pelo desejo de
vê-la feliz. Realizada. Admirada pelas suas
qualidades. Conquistando seus
sonhos. Construindo uma
vida bonita.
Confesso que, às
vezes, gostaria que essa fase demorasse um pouco mais para passar.
Os filhos crescem
depressa demais.
Quando percebemos,
a menina que precisava da nossa mão já está pronta para caminhar sozinha.
Como pai, esse
talvez seja um dos maiores desafios: aprender a cuidar sem prender, orientar
sem controlar e amar sem exigir nada em troca.
Existe ainda um
sonho que carrego comigo.
Gostaria muito de
conseguir proporcionar a ela a cirurgia e a correção facial que tanto deseja.
Tenho feito o
possível.
Continuo tentando.
E, enquanto Deus me
der forças, não deixarei de lutar por esse objetivo.
Sei que a
verdadeira beleza não está na aparência.
Ela está no
caráter, na humildade, na bondade e na forma como tratamos as pessoas.
E nisso minha filha
já é muito bonita.
Mas também sei que
realizar um sonho pode fortalecer a autoestima e abrir novos caminhos.
Por isso continuo
acreditando que, no tempo certo, Deus abrirá as portas.
Minha filha talvez
nunca compreenda completamente o tamanho do orgulho que sinto.
Não apenas pela
atleta que está se tornando. Mas,
principalmente, pela pessoa.
Meu maior sonho
nunca foi vê-la levantar um troféu. Meu maior sonho é
vê-la feliz.
Com saúde. Perto de Deus. Vivendo uma vida
digna.
Construindo uma
linda família. E sendo lembrada
pelas qualidades do seu coração.
Se um dia ela ler
estas páginas, quero que saiba de uma coisa:
Filha, talvez eu
não tenha conseguido lhe dar tudo aquilo que sonhei.
Talvez eu tenha
cometido erros ao longo da sua criação.
Talvez tenha
faltado tempo, dinheiro ou oportunidades.
Mas nunca faltou
amor. Você sempre foi, e
sempre será, uma das maiores bênçãos que Deus colocou na minha vida.
Tenho muito orgulho
de ser o seu pai. E sempre estarei
aqui, torcendo por você, em qualquer fase da sua caminhada.
“A
distância pode separar pessoas, mas nunca diminui o amor verdadeiro de um pai.”
Meu primeiro
filho é o Filipe.
Falar sobre
ele é falar de uma parte muito importante da minha história.
A vida nem
sempre segue os caminhos que planejamos.
Às vezes, as
circunstâncias nos levam por estradas diferentes daquelas que gostaríamos de
percorrer. Foi assim que aconteceu conosco.
As situações
vividas durante o meu primeiro casamento dificultaram muito a nossa
convivência.
Talvez uma
das maiores dores que eu carregue seja justamente não ter conseguido estar tão
presente quanto sonhava.
Perdi
momentos que nenhum pai gostaria de perder.
Sinto falta
das conversas. Da
convivência. Dos almoços
em família. Dos passeios.
Das
experiências simples do dia a dia. Sinto falta
da oportunidade de ensinar algumas coisas da vida e, ao mesmo tempo, aprender
com ele.
Gostaria de
conhecer ainda mais seus pensamentos, seus sonhos, seus desafios e a forma como
enxerga o mundo. Apesar da
distância que a vida acabou impondo entre nós, o amor nunca mudou. O nascimento
da minha netinha Maitê, filha do Filipe e da Joice, trouxe uma alegria
imensa ao meu coração.
Mais uma
princesa enviada por Deus para fazer parte da nossa família. Ao mesmo
tempo, aumentou ainda mais o desejo de estarmos próximos.
Gostaria de
participar mais da vida deles. De acompanhar
o crescimento da Maitê. De criar
lembranças que ela possa guardar para sempre. Meu coração
se alegra quando vejo que eles estão bem. Mas também
sente falta dos momentos que não conseguimos viver juntos.
A distância,
os compromissos e, muitas vezes, as dificuldades financeiras tornam nossos
encontros mais raros do que eu gostaria. Mesmo assim,
o amor continua exatamente o mesmo. Como pai,
sempre desejei poder oferecer mais. Gostaria de
ter condições de ajudá-lo ainda mais. Quem sabe
comprar uma casa para ele.
Contribuir
para que realizasse alguns sonhos. Deixar algo
que o fizesse sentir orgulho de mim. Infelizmente,
nem sempre a vida permite que façamos tudo aquilo que desejamos.
Confesso que
isso, às vezes, dói. Mas aprendi
que o amor de um pai não se mede pelo valor das coisas que consegue comprar. O verdadeiro
amor está na intenção.
Na
preocupação. Na torcida
silenciosa. Na oração
feita todos os dias, pedindo a Deus que proteja aqueles que amamos. Nunca deixei
de orar pelo Filipe.
Nunca deixei
de pedir que Deus o abençoasse, lhe desse saúde, sabedoria e felicidade. Meu maior
desejo sempre foi vê-lo bem. Com uma
família unida. Com paz no
coração. Com saúde
para trabalhar e realizar seus sonhos.
Se existe
algo que aprendi ao longo da vida, é que o tempo passa depressa. Por isso, não
quero guardar arrependimentos. Prefiro
guardar esperança. Espero que
Deus ainda nos conceda muitos momentos juntos. Momentos
simples. Uma conversa
sem pressa. Um almoço em
família. Um abraço. Uma risada. Uma lembrança
construída lado a lado.
Porque são
essas pequenas coisas que, no futuro, se tornam as maiores riquezas da nossa
memória.
Quero que o
Filipe saiba que sempre terá um pai que torce por ele. Um pai que
ora por ele.
Um pai que se
alegra com suas conquistas. E um pai que
nunca deixará de amá-lo.
Se um dia ele
ler estas páginas, espero que compreenda que a vida nem sempre nos permitiu
estar tão próximos quanto eu desejava. Mas nunca
houve um único dia em que ele deixasse de morar no meu coração. Meu filho,
talvez eu não tenha conseguido lhe dar tudo aquilo que sonhei.
Talvez eu
tenha falhado em alguns momentos. Talvez eu
pudesse ter feito algumas escolhas diferentes. Mas existe
uma coisa da qual tenho absoluta certeza:
Nunca
deixei de amar você.
Hoje, ao
olhar para a minha família, percebo que Deus continua escrevendo nossa
história.
E peço apenas
uma coisa:
Que Ele nos
conceda muitos anos de convivência, para recuperarmos, com carinho e
serenidade, parte do tempo que a vida levou.
Porque nunca
é tarde para fortalecer os laços entre um pai e um filho.
Enquanto Deus
me conceder vida, esse continuará sendo um dos meus maiores desejos.
“Existem
sonhos que um pai sonha junto com o filho.”
O que
dizer do meu filho Chrystian Barletta?
Talvez
uma das maiores alegrias da minha vida seja olhar para trás e lembrar da
caminhada que construímos juntos.
Desde
muito cedo percebi que ele tinha talento para o futebol.
Como pai,
procurei fazer tudo o que estava ao meu alcance para ajudá-lo a perseguir esse
sonho. Dediquei
tempo. Estudei. Pesquisei.
Procurei
aprender sobre futebol, categorias de base, formação de atletas e tudo o que
pudesse contribuir para o seu desenvolvimento.
Queria
orientá-lo da melhor maneira possível. Mas
nossas lembranças vão muito além do futebol. Quando
penso nele, não lembro apenas dos jogos. Lembro
das nossas brincadeiras.
Das
partidas de futebol na rua, na praia e nos campinhos do bairro. Das
pescarias. Das
pipas.
Das
competições que eu inventava para desenvolver sua confiança e seu espírito
competitivo. Lembro
dos treinos de chute. Dos
desafios que criávamos juntos. Dos
conselhos. Das
conversas. Das
orientações sobre a vida e sobre a importância de cuidar bem do dinheiro. Lembro
também das broncas. Porque
educar também significa corrigir quando necessário.
E existe
uma lembrança que sempre me faz sorrir. Aquela
cena no cartório, quando, sem querer, soltei um pum. Até hoje
dou risada ao lembrar daquele momento. Assim
como nunca esqueço da lotérica e da frase que ficou marcada na nossa memória:
“Aquele
homem comeu tudo.”
São
acontecimentos simples. Talvez
sem importância para muitas pessoas. Mas, para
mim, são lembranças que valem mais do que qualquer patrimônio material. São essas
histórias que carregarei para sempre no coração. Meu
objetivo nunca foi apenas ajudá-lo a se tornar um jogador de futebol. Meu maior
sonho era formar um homem de caráter.
Queria
que ele fosse respeitado dentro e fora de campo. Queria
que tivesse valores.
Humildade. Honestidade. Respeito
pelas pessoas. E, acima
de tudo, que nunca perdesse sua essência. Também
sonhava em ter um parceiro para a vida inteira. Um filho
com quem eu pudesse conversar sobre qualquer assunto.
Um amigo.
Graças a
Deus, grande parte desse sonho se realizou. Hoje
sinto um orgulho enorme ao acompanhar sua trajetória. Ver seu
talento sendo reconhecido é uma alegria difícil de explicar. Sempre
que posso, acompanho seus jogos. Não gosto
de perder nenhum. Muitas
vezes recebo convites para sair justamente nos dias em que ele vai jogar. Minha
resposta quase sempre é a mesma:
“Hoje
não posso. Tem jogo do meu filho.”
E não é
apenas porque ele é meu filho. É porque
admiro o jogador que vi crescer. Assim
como milhões de pessoas admiram Neymar, Cristiano Ronaldo ou Messi, eu também
admiro o Barletta. Porque
conheço a história que existe por trás de cada partida.
Conheço
os sacrifícios. Os
treinos. As
dificuldades. As
renúncias. As
lágrimas. As
vitórias e as derrotas. Conheço o
menino que existia antes do atleta.
Nunca
esperei nada em troca por tudo o que fiz. Sempre
acreditei que o amor verdadeiro não deve criar cobranças. Tudo o
que fiz foi porque queria vê-lo feliz. Mas
confesso que, como qualquer pai e como qualquer torcedor, imaginava viver
alguns momentos especiais ao lado dele. Quem sabe
guardar uma camisa usada em um jogo importante.
Uma bola
autografada. Uma
fotografia. Um
ingresso de uma final. Ou
simplesmente estar presente em alguma apresentação marcante da sua carreira.
Talvez
isso pareça pouco para algumas pessoas. Mas, para
quem ama, pequenos gestos se transformam em grandes lembranças. Também
compartilhamos sonhos que pareciam distantes. Sonhávamos
com uma casa onde toda a família pudesse se reunir. Um campo
de futebol para jogar com os amigos. Talvez um
sítio. Quem sabe
uma fazenda.
Até uma
viagem para a Europa fazia parte das nossas conversas. Sonhos
simples.
Sonhos de
pai e filho. Hoje ele
construiu sua própria família. E isso me
enche de alegria. Tenho
muito carinho pela esposa dele. Também
sinto uma enorme saudade dos meus netos. Gostaria
de participar mais da vida deles. De
acompanhar seu crescimento.
De
brincar. De contar
histórias. De fazer
um churrasco em família. De sentar
à mesa sem pressa. De
conversar. De rir. De criar
lembranças que eles levarão para a vida inteira.
Talvez
esse seja um dos maiores desejos que ainda guardo no coração. Reconheço
que a vida nos levou por caminhos diferentes. Também
reconheço que nossa relação talvez não tenha seguido exatamente como eu
imaginava. Pode ser
que eu tenha cometido erros.
Pode ser
que existam mágoas que eu nunca tenha compreendido completamente. Se isso
aconteceu, peço perdão. Jamais
foi minha intenção ferir quem eu mais amo. Mas
existe uma coisa que nunca mudou. Meu
respeito. Sempre
respeitei as escolhas dos meus filhos. Nem
sempre concordei com todas elas. Mas nunca
deixei de respeitá-las. Porque
cada pessoa precisa construir a própria história.
Às vezes
também me pergunto se, em algum momento, passei a imagem de alguém difícil de
conviver. Não sei. Talvez
essa resposta apenas meus filhos possam dar.
O que sei
é que nunca deixei de amá-los. Minha
vida sempre foi marcada pelo trabalho.
Trabalhei
muito. Lutei
muito. Desde
criança aprendi que nada vinha fácil. Fui
praticamente criado na rua. Foi ali
que aprendi muitas das lições que carrego até hoje. Passei
por dificuldades financeiras. Como diz
o velho ditado, muitas vezes foi preciso “vender o almoço para comprar a
janta.”
Nunca
tive uma vida fácil. Mas nunca
deixei de acreditar. Nunca
deixei de sonhar. E nunca
deixei de amar meus filhos. Se um dia
o Chrystian ler este capítulo, quero que saiba de uma coisa. Meu
orgulho por você nunca esteve apenas no futebol.
O futebol
pode terminar um dia. A
carreira também. Mas
aquilo que realmente importa permanecerá para sempre. Seu
caráter. Sua
família. Sua
honestidade. Sua fé. Essas
serão as maiores vitórias da sua vida. Muito
obrigado pelos momentos que vivemos juntos. Obrigado
pelas alegrias. Pelas
risadas. Pelas
lembranças que guardarei para sempre.
Independentemente
do caminho que a vida ainda nos reserve, você continuará sendo um dos maiores
presentes que Deus colocou na minha caminhada.
E sempre
que alguém me perguntar qual foi uma das maiores realizações da minha vida,
responderei sem pensar duas vezes:
Ter
tido o privilégio de ser o pai do Chrystian Barletta.
“Quem ama nunca acredita que fez o suficiente.”
Ao longo da vida, aprendi que o maior peso que um pai e um marido
carregam não é o trabalho, nem as dificuldades financeiras.
O maior peso é a sensação de que poderíamos ter feito mais pelas
pessoas que amamos.
Se existe uma tristeza que, às vezes, visita meu coração, é
justamente essa.
A sensação de não conseguir oferecer tudo aquilo que eu gostaria à
minha esposa, aos meus filhos, aos meus netos e às pessoas que fazem parte da
minha vida.
Se fosse possível, daria a minha própria vida para garantir que
todos eles tivessem um futuro cheio de saúde, felicidade, paz e realizações.
Como marido, sempre quis proporcionar mais conforto.
Como pai, sempre sonhei em abrir portas para meus filhos.
Como avô, gostaria de estar mais presente e participar da construção
das lembranças dos meus netos. Nem sempre consegui. A vida nem sempre permite que realizemos todos os nossos sonhos.
Muitas vezes fui além das minhas forças. Trabalhei mais do que meu corpo suportava. Aceitei desafios. Mudei de cidade. Passei longos períodos longe de casa. Tudo isso movido por um único objetivo: cuidar da minha família.
Mesmo assim, em alguns momentos ainda sinto que eles mereciam muito
mais do que consegui oferecer. Talvez esse seja um sentimento comum a todo pai que ama de verdade.
Porque quem ama nunca acredita que fez o suficiente.
Com o passar dos anos, comecei a entender que a vida é muito
diferente daquilo que imaginamos quando somos jovens. Quando somos mais novos, acreditamos que felicidade está nas grandes
conquistas.
No sucesso. No dinheiro. Nos bens materiais. Hoje penso diferente. Descobri que a verdadeira riqueza está nos pequenos momentos. Está em um abraço sincero. Em uma conversa sem pressa. Em uma refeição compartilhada. Em um telefonema inesperado. Em um sorriso. Em uma oração feita em família.
São essas lembranças que permanecem quando o tempo passa. O dinheiro vai embora. Os bens ficam para trás. O trabalho termina. Mas as pessoas permanecem em nosso coração. Existem coisas que ainda gostaria de acertar. Palavras que ainda gostaria de dizer. Abraços que ainda gostaria de dar. Momentos que ainda sonho viver. Talvez Deus ainda me conceda muitos anos.
Talvez apenas alguns. Ninguém sabe. Por isso, aprendi que nunca devemos adiar o amor.
Nunca devemos deixar para amanhã um pedido de perdão. Um agradecimento. Um abraço.
Uma visita. Ou uma palavra de carinho. O tempo não volta.
Hoje compreendo isso com muito mais clareza.
Ao olhar para trás, vejo um homem cheio de limitações.
Um homem que errou. Que acertou. Que tomou decisões boas e outras nem tanto.
Mas também vejo alguém que nunca deixou de lutar.
Nunca deixou de acreditar. Nunca deixou de trabalhar. E, principalmente, nunca deixou de amar. Se algum dos meus filhos ler este livro, quero que saiba que jamais
existiu um único dia em que eu deixasse de pensar em vocês.
Talvez eu não tenha demonstrado da melhor maneira.
Talvez o excesso de trabalho tenha ocupado o tempo que deveria ter
sido dedicado à convivência.
Talvez eu tenha falhado em momentos importantes.
Reconheço isso. Mas nunca faltou amor. Tudo o que fiz foi tentando construir um futuro melhor para a nossa
família. Sei que nem sempre consegui.
Mas Deus conhece meu coração.
E isso me traz paz. Também quero dizer algo aos meus netos. Talvez, quando vocês lerem estas páginas, eu já tenha cabelos
completamente brancos.
Ou talvez Deus já tenha me chamado para junto d’Ele.
Se isso acontecer, quero que saibam de uma coisa. Vocês sempre foram motivo de alegria para mim. Mesmo quando a distância dificultou nossa convivência. Mesmo quando os encontros foram poucos. Sempre carreguei cada um de vocês dentro do meu coração.
Gostaria que vocês lembrassem do avô não pelos presentes que deu,
mas pelo amor que sentia.
Porque o amor permanece. Os presentes passam. Ao longo da minha caminhada também aprendi que ninguém consegue
construir uma vida sozinho. Todos nós precisamos de alguém. Precisamos da família.
Dos amigos. Da fé. Do apoio de Deus. Foi essa certeza que me sustentou nos momentos mais difíceis. Nunca fui um homem perfeito.
Nunca serei. Mas sempre procurei viver com honestidade.
Respeitar as pessoas. Cumprir minha palavra.
Trabalhar com dignidade. Ajudar quem estivesse ao meu alcance.
E agradecer a Deus por cada oportunidade.
Hoje, se pudesse deixar apenas uma mensagem para meus filhos e meus
netos, ela seria muito simples. Amem a família de vocês.
Valorizem seus pais enquanto eles estão presentes.
Conversem mais. Perdoem mais.
Abracem mais. Digam “eu te amo” com mais frequência.
O tempo passa muito mais rápido do que imaginamos.
Não esperem a saudade ensinar o valor da presença.
A vida me mostrou que o verdadeiro patrimônio de uma pessoa nunca
será aquilo que ela acumulou.
Será sempre o amor que conseguiu plantar no coração das pessoas.
É esse patrimônio que espero deixar para aqueles que amo.
Porque, quando tudo passa, é o amor que permanece.
E é exatamente esse amor que carrego no coração.
“Nenhuma árvore permanece firme sem raízes profundas. Tudo o que sou
começou muito antes de mim.”
Quando olho para a minha vida, percebo que muito do homem que me
tornei nasceu dentro da minha própria família.
Foi
com meus pais que aprendi os primeiros valores.
Foi
convivendo com minha irmã que descobri a importância da união.
Foi
enfrentando dificuldades que compreendi o verdadeiro significado da palavra
dignidade.
Se
hoje valorizo tanto a família, o trabalho e a fé em Deus, é porque tudo isso
começou lá atrás.
Nas
minhas raízes.
“Foi ela quem me ensinou que
riqueza não mora no bolso, mora no coração.”
Minha mãe foi uma mulher
simples.
Estudou apenas até a quinta
série, mas possuía uma sabedoria que nenhuma escola consegue ensinar.
Era humilde.
Generosa.
Carinhosa.
Sempre pronta para ajudar quem
precisasse.
Mesmo quando tínhamos poucos
recursos financeiros, nunca deixou faltar amor dentro de casa.
Acho que eu e minha irmã
herdamos muito desse jeito dela.
Tenho muito orgulho da mulher
que foi.
Tive o privilégio de cuidar
dela até os últimos dias de sua vida.
Essa é uma das maiores bênçãos
que Deus me concedeu.
Guardo muitas lembranças
daqueles anos.
Lembro de levá-la à igreja.
Depois voltava para buscá-la
quando terminava meus compromissos.
Lembro das idas à feira.
Eu a deixava de carro e
retornava mais tarde para levá-la para casa.
Hoje, olhando para trás, penso
que poderia ter aproveitado ainda mais aqueles momentos.
Talvez caminhar ao seu lado
entre as barracas.
Conversar sem pressa.
Ouvir mais suas histórias.
Na correria da vida, nem sempre
percebemos que os momentos simples serão aqueles de que mais sentiremos
saudade.
Passamos por muitas
dificuldades financeiras.
Lembro que minha mãe costumava
ir à feira perto do horário de encerramento.
Muitos feirantes deixavam
frutas e verduras que ainda estavam boas para consumo.
Ela recolhia aquilo com
dignidade.
Nunca houve vergonha nisso.
Havia coragem.
Havia humildade.
Havia o amor de uma mãe fazendo
tudo o que podia para alimentar seus filhos.
Hoje compreendo o tamanho
daquele gesto.
E quanto mais o tempo passa,
maior fica a admiração que sinto por ela.
“Foi ele quem me ensinou que
honestidade vale mais do que qualquer riqueza.”
Meu pai foi um homem trabalhador.
Responsável.
Honesto.
Nunca teve riquezas.
Sua maior riqueza sempre foi sua
disposição para trabalhar e sustentar a família.
Quando meus pais se separaram, eu
tinha aproximadamente 14 anos.
Foi uma separação tranquila, sem
grandes conflitos.
Mesmo seguindo caminhos
diferentes, ele nunca deixou de cumprir seu papel de pai.
Continuou ajudando no sustento da
casa. Sempre aparecia para saber como
estávamos.
Foi com ele que aprendi o valor
da responsabilidade. Muito cedo precisei trabalhar. Puxei carrinho de ferro-velho.
Fui pegador de bolinhas de tênis. Office-boy. Fiz tudo o que aparecia para
ajudar minha mãe e minha irmã.
Naquela época não existia espaço
para reclamar.
Era preciso trabalhar. Hoje percebo que boa parte do
homem que me tornei nasceu justamente dessas dificuldades.
Tenho muito orgulho do meu pai. Gostaria que ele ainda estivesse
aqui.
Tenho certeza de que sentiria
orgulho da família que construí.
Gostaria que ele conhecesse
melhor meus filhos, meus netos e pudesse participar um pouco mais da história
que continuou depois dele.
Essa saudade permanece comigo.
“Algumas pessoas nasceram
para cuidar dos outros.”
Minha irmã é uma das pessoas
mais generosas que conheço.
Ela lembra muito nossos pais. Possui um coração enorme. Está sempre preocupada com
quem precisa de ajuda. Muitas vezes coloca as
necessidades dos outros acima das próprias.
Confesso que, às vezes, fico
preocupado. Penso que ela poderia viver
com menos dificuldades se pensasse um pouco mais nela mesma.
Mas também sei que Deus cuida
daqueles que têm um coração bom. Tenho muito orgulho dela. Gostaria de estar mais
presente.
Gostaria de ajudá-la mais. Principalmente
financeiramente.
Infelizmente nem sempre
consigo. Mas nunca deixo de torcer por
sua felicidade.
“A saudade é a
forma que o amor encontra para permanecer.”
Meu sobrinho Israel
partiu cedo demais. Hoje acredito que
está ao lado do Senhor.
Guardo muitas
lembranças boas dele. Era alegre. Divertido. Gostava de conversar.
Sempre me procurava
para pedir opinião sobre seus negócios. Isso me fazia sentir
útil. Sentia que confiava
em mim. Sinto falta das
nossas conversas. Das brincadeiras. Das risadas.
A vida o levou cedo
demais. Mas as boas
lembranças permanecem vivas dentro do meu coração.
“Acompanhar o
crescimento de quem amamos também é uma forma de felicidade.”
Que saudade tenho da
Sara. Desde pequena sempre
foi sorridente. Carinhosa. Alegre.
Ao longo dos anos
criou o hábito de me procurar para pedir conselhos. Às vezes era para
revisar um currículo. Outras vezes apenas
para ouvir uma opinião. Sempre gostei desses
momentos. Ela é uma mulher
guerreira. Trabalhadora. Determinada.
Tenho orgulho da
pessoa que se tornou. Gostaria de ser um
tio mais presente. Gostaria de ajudá-la
ainda mais em sua caminhada profissional e pessoal.
Ela é muito querida
por toda a nossa família. Especialmente pela
Débora e pela Julieann.
Ocupa um lugar muito
especial no meu coração.
“Os homens de
caráter não precisam aparecer. Basta viverem com dignidade.”
Meu cunhado Paraná é
um homem trabalhador.
Honesto.
Dedicado à família.
Há muitos anos cuida
da minha irmã com responsabilidade e carinho.
Tenho muito respeito
por ele.
Gostaria de poder
ajudá-lo mais.
Aliviar um pouco das
responsabilidades que carrega.
Nem sempre isso é
possível.
Mas faço questão de
registrar aqui a admiração que sinto por ele.
Quando olho para
todas essas pessoas, compreendo que nenhuma delas deixou grandes fortunas. Mas todas deixaram
algo muito maior. Valores. Exemplos. Caráter. Honestidade. Humildade. Amor pela família.
Essas foram as
maiores heranças que recebi. E talvez sejam também
as maiores heranças que eu possa deixar para meus filhos e meus netos. A vida passa. O dinheiro passa. Os bens materiais
ficam para trás. Mas os exemplos
permanecem. Se hoje procuro viver
com honestidade, trabalhar com dignidade, respeitar as pessoas e acreditar em
Deus, é porque alguém me ensinou esse caminho. E esse aprendizado
começou dentro da minha própria casa. Nas minhas raízes.
Sou profundamente
grato a Deus pelos pais que tive, pela irmã que tenho e por cada pessoa da
minha família que ajudou a escrever a minha história.
Porque ninguém
constrói uma vida sozinho.
Todos nós somos um
pouco daquilo que recebemos daqueles que vieram antes de nós.
“A fé não elimina as dificuldades da vida. Ela nos dá forças para
atravessá-las.”
Ao longo da minha vida, enfrentei muitos desafios.
Passei por dificuldades financeiras.
Vi portas se fecharem. Trabalhei duro. Errei. Acertei. Sorri. Chorei. Mas, em nenhum desses momentos, deixei de acreditar que Deus estava
cuidando de mim. Nem sempre compreendi Seus planos. Houve momentos em que me perguntei por que algumas coisas
aconteciam.
Por que alguns sonhos demoravam tanto para se realizar.
Por que determinadas portas permaneciam fechadas.
Com o tempo aprendi que Deus enxerga muito além daquilo que nós
conseguimos ver.
Hoje compreendo que muitas dificuldades serviram para me tornar mais
forte. Mais paciente. Mais humilde. Mais dependente d’Ele.
Existe um hábito que adotei há muitos anos e que faz parte da minha
vida.
Todos os dias, ao acordar, antes de qualquer outra coisa, ajoelho-me
para conversar com Deus.
Minha oração é simples. Não peço riquezas. Não peço fama. Não peço sucesso. Apenas agradeço. E faço uma pergunta que se tornou parte da minha caminhada:
“Senhor… o que mais de bom o Senhor vai fazer hoje?”
Depois disso, entrego meu dia em Suas mãos.
Aprendi que confiar em Deus não significa cruzar os braços.
Pelo contrário.
Significa continuar trabalhando.
Continuar lutando.
Continuar acreditando.
Mesmo quando tudo parece difícil.
Há uma frase que guardo com muito carinho no coração.
Em um dos momentos mais difíceis da minha vida, senti como se Deus
me dissesse:
“Aguenta firme. Veja tudo o que você precisou enfrentar para se
tornar forte. Essas são apenas mais algumas barreiras que você ainda vai
superar.”
Talvez essa frase nunca tenha sido dita em voz alta.
Mas ela permanece viva dentro de mim.
E continua me fortalecendo.
Ao longo da vida também encontrei muito conforto na Palavra de Deus.
Existem versículos que sempre me acompanharam e ajudaram a orientar
minhas decisões.
Um deles está em Provérbios 17:13:
“Quem retribui o bem com o mal jamais afastará o mal da sua casa.”
Esse ensinamento me faz refletir sobre a importância da gratidão, do
perdão e da reconciliação.
Responder ao bem com o mal apenas prolonga o sofrimento.
Outro texto que sempre me chamou a atenção está em 2 Timóteo
3:1-2.
O apóstolo Paulo alerta que, nos últimos dias, muitas pessoas seriam
egoístas, orgulhosas, ingratas, desobedientes aos pais e distantes de Deus.
Quando observo o mundo de hoje, percebo como essas palavras
continuam atuais.
Vivemos tempos em que o individualismo cresce e, muitas vezes, a
família perde espaço.
Por isso acredito que nunca foi tão importante valorizar os pais, os
filhos, os avós e aqueles que caminham ao nosso lado.
Também procuro guardar no coração o ensinamento de Romanos 15:1:
“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos e
não agradar a nós mesmos.”
Esse versículo sempre me lembra que viver não é pensar apenas em
nós. É estender a mão. É ajudar. É compreender. É carregar um pouco do peso de quem está cansado. Talvez eu nunca tenha conseguido fazer tudo isso da maneira
perfeita.
Mas sempre procurei caminhar nessa direção. Hoje olho para trás e vejo uma vida simples. Sem grandes riquezas. Sem luxo. Sem fama. Mas cheia de histórias. Cheia de pessoas que marcaram minha caminhada. Cheia de aprendizado.
Acima de tudo, cheia da presença de Deus.
Se eu pudesse deixar apenas um conselho para meus filhos, meus netos
e para qualquer pessoa que um dia leia estas páginas, seria este:
Nunca percam a fé. Confiem em Deus. Amem sua família. Trabalhem com honestidade. Perdoem. Agradeçam. Façam o bem sempre que puderem.
Porque, no final da vida, são essas coisas que realmente
permanecerão.
Cheguei
ao fim destas páginas com o coração em paz.
Talvez
eu não tenha contado tudo.
Talvez
algumas lembranças tenham ficado guardadas.
Outras
talvez eu tenha preferido deixar apenas entre mim e Deus.
Mas
aquilo que realmente importava ficou registrado.
Escrevi
estas páginas porque senti vontade de deixar um pedaço da minha história para
aqueles que amo. Não
para ser admirado. Não
para parecer um exemplo.
Muito
menos para mostrar uma vida perfeita. Escrevi
porque acredito que toda família merece preservar sua história. Se
algum dia meus filhos, meus netos ou até meus bisnetos lerem este livro, quero
que saibam quem foi o homem por trás dessas palavras.
Fui um
homem simples. Cheio
de defeitos. Cheio
de limitações. Como
qualquer pessoa.
Errei
muitas vezes. Em
outras, acertei. Nem
sempre consegui estar presente quando gostaria. Nem
sempre consegui oferecer tudo aquilo que sonhei. Mas
nunca deixei de amar. Esse
talvez seja o maior resumo da minha vida. Amei
minha esposa. Amei
meus filhos. Amei
meus netos. Amei
meus pais. Amei
minha irmã. Amei
minha família.
Também
amei meu trabalho.
Amei
os amigos que Deus colocou no meu caminho.
E
procurei viver de maneira que, quando minha caminhada terminasse, eu pudesse
olhar para trás sem vergonha da pessoa que fui. Espero
que, quando eu já não estiver mais aqui, minhas palavras continuem lembrando à
minha família que o amor vale mais do que qualquer patrimônio material. Que o
perdão sempre será melhor do que o orgulho.
Que a
presença vale mais do que presentes. Que a
honestidade vale mais do que o dinheiro. E que
Deus continua cuidando daqueles que confiam n’Ele.
Se
algum dia alguém me perguntar qual foi a maior riqueza que construí durante
esta vida, minha resposta será sempre a mesma:
Minha
família.
Ela
foi o meu maior presente. Minha
maior motivação. Meu
maior aprendizado. Meu
maior orgulho. Meu
maior patrimônio. Obrigado,
meu Deus. Obrigado,
minha família.
Obrigado
por tudo.
Enquanto houver vida,
haverá esperança.
Enquanto houver esperança, haverá motivos
para continuar lutando.
Enquanto houver amor, sempre existirá um
caminho de volta.
E, enquanto Deus estiver à frente da
nossa caminhada, nunca estaremos sozinhos.
“Porque, no fim das contas, o maior
patrimônio que um homem pode deixar não são os bens que acumulou, mas o amor
que semeou no coração das pessoas.”
Silvio Barletta