segunda-feira, 20 de julho de 2026

225ª Festa do Divino em Guaratuba

225ª Festa do Divino reúne milhares de pessoas e fortalece a tradição, o turismo e a economia de Guaratuba

O Blog do Barletta marcou presença na 225ª Edição da Festa do Divino Espírito Santo, um dos mais importantes eventos culturais do litoral paranaense. A celebração reuniu moradores, turistas e visitantes de diversas cidades, consolidando mais uma edição marcada pela fé, tradição e integração da comunidade.


No domingo, 20 de julho de 2026, Guaratuba encerrou com grande participação popular um evento que, ao longo de sua programação, ofereceu momentos de espiritualidade, cultura, lazer e confraternização para pessoas de todas as idades.

Entre os destaques estiveram os shows musicais com artistas locais, como Mariane Passos, além de apresentações regionais, grupos folclóricos, danças gaúchas, desfiles culturais e o tradicional Festival de Prêmios, atrações que mantêm vivas as tradições e valorizam a identidade cultural da região.


A programação também contou com almoço musical, bingo, corridas, atividades esportivas, brinquedos para as crianças e uma completa praça de alimentação, oferecendo opções gastronômicas que agradaram moradores e visitantes.

Além do aspecto religioso e cultural, a Festa do Divino reafirma sua importância para o desenvolvimento econômico de Guaratuba. Realizada em julho, período fora da alta temporada


de verão, a festa movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, comércio e o setor de serviços, atraindo visitantes de cidades como Curitiba, Matinhos, Pontal do Paraná, Paranaguá, Joinville, Garuva e de diversas outras regiões.

Outro fator que contribuiu para o expressivo fluxo de público foi a nova ligação entre Matinhos e Guaratuba, que facilita o acesso ao município e fortalece ainda mais o potencial turístico do litoral paranaense.


Com entrada gratuita e uma programação diversificada, a 225ª Festa do Divino Espírito Santo reafirmou seu papel como patrimônio da cultura e da fé de Guaratuba, encerrando mais uma edição com grande participação popular e deixando um saldo extremamente positivo para a cidade.

Informações do evento

📅 Período: 8 a 19 de julho de 2026

🎟️
Entrada: Gratuita

O Blog do Barletta parabeniza todos os organizadores, voluntários, patrocinadores e participantes que contribuíram para o sucesso de mais uma edição desta tradicional celebração, que preserva a história, fortalece a cultura e impulsiona o turismo em Guaratuba.

📍 Fonte: Blog do Barletta

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Insight: @blogdobarletta

DRT/SP │ desde 13/06/2005

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Brasileirão de Desenvolvimento e Experiência (Sub-23 + Veteranos)

Campeonato Brasileiro de Desenvolvimento e Experiência (Sub-23 + Veteranos)

O desenvolvimento desta proposta foi elaborado pelo Blog do Barletta, a partir de uma ideia do ex-atleta Walter Henrique da Silva, conhecido como Walter. Ao longo de sua carreira, Walter atuou por importantes clubes do futebol brasileiro, como Sport, Goiás, Athletico Paranaense e Fluminense. Destacou-se como um atacante de grande talento, especialmente na temporada de 2013, quando marcou 29 gols pelo Goiás, registrando o melhor desempenho de sua carreira e consolidando seu nome no cenário nacional.

O Campeonato Brasileiro de pontos corridos é uma das competições mais importantes do país e movimenta milhões de torcedores todos os anos. Durante décadas, era comum que as preliminares das partidas principais contassem com jogos de aspirantes, juvenis ou equipes de base, criando um ambiente de integração entre diferentes gerações de atletas e aproximando ainda mais os torcedores dos clubes.

Partindo desse conceito, surge uma proposta inovadora: a criação do Campeonato Brasileiro de Desenvolvimento e Experiência, uma competição alternativa formada por atletas Sub-23 e jogadores veteranos acima de 35 anos.

A sugestão pode ser aplicada tanto no Campeonato Brasileiro quanto em competições estaduais, respeitando as características e necessidades de cada federação.

Objetivos da Competição

A proposta busca atender a diversos desafios do futebol brasileiro:

  • Criar uma vitrine nacional para atletas Sub-23.
  • Dar continuidade à carreira de jogadores experientes que ainda possuem condições físicas e técnicas para competir.
  • Promover a troca de experiências entre gerações.
  • Reduzir o encerramento precoce de carreiras.
  • Ampliar o entretenimento oferecido aos torcedores nos dias de jogos.
  • Facilitar a observação de atletas por clubes, empresários e comissões técnicas.

Formato da Competição

Cada clube participante das Séries A, B e, eventualmente, da Série C poderia manter uma equipe de desenvolvimento.

A ideia inicial é que, durante o primeiro ano de implementação, apenas os clubes da Série A participem da competição. Caso alguma equipe opte por não participar, sua vaga poderá ser preenchida por clubes das Séries B ou C, seguindo critérios definidos previamente pela organização do torneio.

Regras de Inscrição

  • Elenco principal composto por atletas de até 23 anos.
  • Cada equipe deverá inscrever até 7 jogadores com mais de 35 anos.
  • Em cada partida, será obrigatória a presença de pelo menos 3 atletas acima de 35 anos entre os titulares.

Essa combinação permitirá que os jovens sejam orientados dentro de campo por atletas que acumulam experiência em grandes competições nacionais e internacionais.

Realização das Partidas

Uma das características mais atrativas do projeto seria a realização das partidas como preliminares dos jogos das equipes profissionais.

Exemplo

Corinthians x Bahia (Série A)

Programação do dia:

  • 13h30: Corinthians Sub-23/Veteranos x Bahia Sub-23/Veteranos
  • 16h00: Corinthians x Bahia (Equipe Principal)

Dessa forma, o torcedor chegaria mais cedo ao estádio e teria uma experiência ainda mais completa, acompanhando duas partidas pelo mesmo ingresso.

Observação

Nos casos em que uma equipe da Série B ou Série C estiver ocupando a vaga de um clube da Série A que optou por não participar da competição, o acesso ao estádio permanecerá vinculado ao jogo principal. Dessa forma, apenas os torcedores dos clubes envolvidos na partida da Série A terão acesso ao evento.

Benefícios para os Jovens Jogadores

Os atletas da base frequentemente encontram dificuldades na transição para o futebol profissional. Muitos possuem talento, mas ainda precisam adquirir experiência competitiva.

Ao atuar ao lado de jogadores mais experientes, os jovens poderão desenvolver:

  • Liderança.
  • Posicionamento tático.
  • Controle emocional.
  • Disciplina profissional.
  • Cultura de treinamento.
  • Mentalidade competitiva.

Além disso, a exposição em partidas realizadas antes dos jogos principais aumentaria significativamente sua visibilidade perante clubes, empresários, imprensa e torcedores.

Benefícios para os Jogadores Veteranos

Muitos atletas deixam de atuar em alto nível não por falta de qualidade, mas pela redução das oportunidades disponíveis no mercado.

O campeonato permitiria:

  • Prolongamento da carreira profissional.
  • Manutenção da forma física e técnica.
  • Transição gradual para funções como treinador, auxiliar técnico ou coordenador esportivo.
  • Compartilhamento da experiência adquirida ao longo dos anos.
  • Permanência no ambiente competitivo do futebol.

Esses atletas atuariam como verdadeiros mentores dentro e fora de campo.

Benefícios para os Clubes

Os clubes também seriam diretamente beneficiados:

  • Redução de custos com empréstimos de atletas da base.
  • Melhor avaliação dos jovens talentos.
  • Formação mais qualificada dos jogadores.
  • Criação de um grupo de atletas mais preparado para integrar a equipe principal.
  • Maior valorização patrimonial dos atletas.
  • Fortalecimento das categorias de transição entre a base e o profissional.

Benefícios para os Torcedores

O torcedor ganharia um espetáculo ainda mais completo.

Entre os benefícios:

  • Mais futebol pelo mesmo ingresso.
  • Possibilidade de acompanhar de perto as promessas do clube.
  • Reencontro com jogadores experientes e ídolos do passado.
  • Maior interação com o processo de formação de atletas.
  • Ampliação da experiência de entretenimento nos dias de partida.

Isso contribuiria para aumentar a ocupação dos estádios e fortalecer a identidade dos clubes com suas torcidas.

Impactos para o Futebol Brasileiro

A longo prazo, a competição poderia gerar:

  • Melhor formação de atletas.
  • Maior aproveitamento de jogadores experientes.
  • Redução da evasão de talentos.
  • Fortalecimento das categorias de transição.
  • Aumento da competitividade do futebol nacional.
  • Ampliação das oportunidades profissionais para atletas em diferentes fases da carreira.
  • Formação de futuros treinadores, líderes e profissionais do esporte.

Conclusão

A criação do Campeonato Brasileiro de Desenvolvimento e Experiência (Sub-23 + Veteranos) seria uma iniciativa inovadora capaz de unir juventude, experiência e formação em benefício do futebol brasileiro.

Além de funcionar como uma importante plataforma para o desenvolvimento de novos talentos, a competição valorizaria atletas experientes que ainda possuem condições de atuar em alto nível, transformando-os em referências dentro e fora de campo para as futuras gerações.

Mais do que um simples campeonato de transição, essa proposta representa uma oportunidade de fortalecer a formação de jogadores, ampliar a vida útil das carreiras profissionais e oferecer ao torcedor uma experiência mais completa nos dias de partida.

Ao resgatar a tradição das preliminares e aproximar jovens promessas de atletas consagrados, o projeto pode gerar benefícios técnicos, esportivos, sociais e financeiros para clubes, atletas, torcedores e para o futebol brasileiro como um todo.

Trata-se de uma ideia simples, viável e de baixo custo de implementação, mas com potencial para criar um novo modelo de desenvolvimento esportivo no Brasil, transformando experiência em aprendizado e talento em oportunidade.


Créditos

Proposta desenvolvida pelo Blog do Barletta, inspirada em uma ideia do ex-atleta Walter Henrique da Silva (Walter), ex-jogador de Sport, Goiás, Athletico Paranaense e Fluminense.

Insta: @w18walter

Fonte:

Foto - Antenados no futebol

📍 Fonte: Blog do Barletta

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Insight: @blogdobarletta

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O Maior Patrimônio - Memórias de um marido, pai, avô e filho


O Maior Patrimônio

Memórias de um marido, pai, avô e filho

Silvio Barletta


Dedicatória

Dedico estas páginas à minha esposa Débora, aos meus filhos Filipe, Chrystian e Julieann, aos meus netos, sobrinha, à minha irmã, aos meus pais, que hoje descansam junto de Deus, e a todos aqueles que fizeram parte da minha caminhada.

Se um dia estas palavras chegarem às próximas gerações da nossa família, espero que elas deixem apenas uma certeza: no fim da vida, o que realmente importa é amar, perdoar, agradecer e cuidar das pessoas que Deus colocou ao nosso lado.


Apresentação

“Se existe uma riqueza que realmente define quem sou, ela não está nos bens materiais, mas nas pessoas que Deus colocou em minha vida.”

Ao longo da vida, aprendi que o tempo passa muito mais rápido do que imaginamos.

Trabalhamos, enfrentamos dificuldades, realizamos alguns sonhos e deixamos outros pelo caminho. Mas existe algo que permanece: as pessoas que amamos.

Este não é um livro sobre conquistas materiais.

É um relato sincero de um homem comum, com qualidades, defeitos, acertos e erros, que encontrou na família o verdadeiro sentido da vida.

Ao longo destas páginas, compartilho momentos de amor, gratidão, saudades, sonhos, arrependimentos e aprendizados ao lado da mulher da minha vida, dos meus filhos, netos, sobrinha, pais, irmã e de tantas pessoas que marcaram minha caminhada.

Não escrevo para parecer perfeito.

Escrevo para deixar registrado aquilo que talvez eu nunca tenha conseguido dizer olhando nos olhos de cada um.

Se algum dia meus filhos ou meus netos lerem estas páginas, espero que compreendam uma única verdade:

Tudo o que fiz, mesmo quando errei, foi tentando amar da melhor forma que eu sabia.

Porque, no fim das contas, o maior patrimônio que alguém pode construir sempre será a própria família.


Capítulo 1

Débora – A mulher da minha vida

“Há pessoas que passam pela nossa vida. Outras caminham conosco para sempre.”

Antes de falar de qualquer outra pessoa, preciso falar da mulher da minha vida: Débora Amaral.

Sou profundamente grato a Deus por tê-la colocado no meu caminho.

Cheguei até a escrever no meu blog sobre a forma como nos conhecemos, uma história da qual gosto de lembrar porque mostra, mais uma vez, o cuidado de Deus com a minha vida.

Existem esposas especiais neste mundo.

Mas a Débora ocupa um lugar que poucas conseguem alcançar.

Depois de mais de 25 anos de casamento, tenho a certeza de que Deus nos uniu para construirmos uma vida juntos.

Ela é meu porto seguro. Minha companheira. Minha amiga. Minha parceira.

É a pessoa com quem sei que sempre posso contar.

Minha força nos momentos difíceis. Minha alegria nos momentos felizes.

Como qualquer ser humano, ela também tem seus erros, suas teimosias e seus defeitos. Afinal, quem não tem?

A diferença é que suas qualidades superam tudo isso com enorme facilidade.

É a pessoa com quem gosto de viajar, conversar, dar risadas e, às vezes, até discordar, porque sei que, no final, nosso amor sempre sai fortalecido.

Débora é uma mulher guerreira, humilde, amorosa e batalhadora.

Sempre cuidou da nossa casa, da nossa família e também da minha saúde.

Nunca mediu esforços para manter nossa família unida e próxima de Deus — uma missão que, muitas vezes, deveria ter sido principalmente minha.

Sua dedicação quase sempre acontece em silêncio.

Ela não faz questão de reconhecimento.

Mas eu vejo. Vejo cada gesto. Cada cuidado. Cada renúncia.

Ela também é um grande exemplo como filha.

Honra seus pais com amor, respeito, gratidão e reconhecimento, da mesma forma que sempre procurei honrar os meus.

Vivemos em uma época em que a tecnologia e as redes sociais, muitas vezes, acabam afastando pais e filhos.

Débora escolheu o caminho contrário. Sempre fez questão de estar presente. Sempre valorizou a família.

Muitas vezes ela não recebe o reconhecimento que merece. Mas eu vejo tudo.

Tenho muito orgulho da mulher que ela se tornou ao completar seus 50 anos de vida.

Seria impossível descrever em palavras o quanto ela significa para mim.

Qualquer elogio ainda seria pequeno diante da pessoa extraordinária que ela é.

Se Deus me perguntasse qual foi a maior bênção que recebi nesta vida, sem dúvida uma das primeiras respostas seria:

Débora Amaral.

Ao longo da nossa caminhada enfrentamos momentos felizes, dificuldades, desafios financeiros, mudanças de cidade, preocupações com os filhos e tantas outras situações que fazem parte da vida de qualquer família.

Em nenhum desses momentos ela desistiu.

Continuou caminhando ao meu lado.

Talvez eu nunca consiga agradecer tudo o que fez por mim e pela nossa família.

Mas faço questão de registrar nestas páginas aquilo que talvez eu não consiga dizer com tanta frequência no dia a dia:

Obrigado.

Obrigado por acreditar em mim. Obrigado por cuidar da nossa família. Obrigado por permanecer ao meu lado.

Obrigado por ser a mulher que Deus escolheu para caminhar comigo.

Se um dia nossos filhos e netos lerem este livro, espero que saibam o quanto sua mãe e sua avó foi importante para que nossa família chegasse até aqui.

Muito do que construímos tem o seu amor, sua dedicação e seu cuidado.

E, quando olho para trás, percebo que uma das maiores riquezas que Deus me concedeu não foi um bem material.

Foi colocar a Débora em meu caminho.

Essa é uma bênção pela qual serei eternamente grato.

Capítulo 2

Julieann – Minha menina

“Alguns filhos ensinam os pais a amar de um jeito que eles nem imaginavam existir.”

Minha filha, Julieann Barletta, carinhosamente chamada de Juh, foi desejada muito antes do seu nascimento.

Linda, querida e muito amada, ela chegou para completar ainda mais a nossa família.

Desde pequena percebi que herdou muitas características da mãe.

É guerreira, determinada e, quando coloca um objetivo no coração, dificilmente desiste.

Ao mesmo tempo, é tranquila, reservada e vive com intensidade essa bonita fase da juventude.

Hoje, aos 15 anos, está descobrindo a vida, construindo seus sonhos e formando sua personalidade.

E, sim… às vezes é obediente… às vezes… (risos).

Como pai, confesso que gostaria de ter ainda mais conexão com ela.

Gostaria de conhecer melhor seus pensamentos, seus sonhos, seus medos e suas preocupações.

Gostaria de participar ainda mais da sua vida. Ser mais procurado. Ser mais ouvido.

Ter mais oportunidades de conversar sobre qualquer assunto. Talvez esse seja um sentimento comum entre muitos pais.

O tempo passa tão rápido que, quando percebemos, nossos filhos já estão caminhando com as próprias pernas. Mesmo assim, continuo tentando estar presente da maneira que posso.

Lembro com carinho de quando ela tinha aproximadamente 11 anos.

Naquela época ainda não havia encontrado um esporte com o qual realmente se identificasse.

Foi então que sugeri o vôlei. No começo ela não gostou muito da ideia. Recusou. Mas não desisti.

Comecei a criar pequenas brincadeiras, desafios e atividades para despertar seu interesse.

Sem cobranças. Sem pressão.

Apenas tentando mostrar que aquele esporte poderia lhe proporcionar momentos felizes.

Pouco a pouco ela foi se apaixonando pelo vôlei.

Começou a treinar. A evoluir. A se dedicar.

E hoje tenho a alegria de vê-la atuando em uma equipe de alto rendimento.

Isso enche meu coração de orgulho.

Talvez ela nunca imagine o quanto me faz feliz vê-la entrar em quadra.

Cada saque. Cada defesa. Cada ponto conquistado. Cada vitória. Cada derrota também.

Porque todas essas experiências ajudam a formar não apenas uma atleta, mas uma mulher forte para enfrentar a vida.

Sempre que posso, acompanho seus jogos. Torço. Vibro. Sofro.

E agradeço a Deus pela oportunidade de vê-la crescendo.

Às vezes sinto falta de coisas simples. De um abraço sem motivo. De uma conversa mais longa. De passarmos mais tempo juntos. Talvez seja apenas o coração de pai falando mais alto.

E acredito que sempre será assim.

Faço tudo o que está ao meu alcance — e, muitas vezes, até além dele — para apoiá-la, tanto no vôlei quanto na vida. Nunca enxerguei o esporte apenas como uma competição.

Vejo nele uma escola. Uma oportunidade de aprender disciplina, respeito, amizade, perseverança e humildade. Esses valores serão muito mais importantes do que qualquer medalha. Tudo o que faço por ela é movido pelo amor.

Pelo desejo de vê-la feliz. Realizada. Admirada pelas suas qualidades. Conquistando seus sonhos. Construindo uma vida bonita.

Confesso que, às vezes, gostaria que essa fase demorasse um pouco mais para passar.

Os filhos crescem depressa demais.

Quando percebemos, a menina que precisava da nossa mão já está pronta para caminhar sozinha.

Como pai, esse talvez seja um dos maiores desafios: aprender a cuidar sem prender, orientar sem controlar e amar sem exigir nada em troca.

Existe ainda um sonho que carrego comigo.

Gostaria muito de conseguir proporcionar a ela a cirurgia e a correção facial que tanto deseja.

Tenho feito o possível.

Continuo tentando.

E, enquanto Deus me der forças, não deixarei de lutar por esse objetivo.

Sei que a verdadeira beleza não está na aparência.

Ela está no caráter, na humildade, na bondade e na forma como tratamos as pessoas.

E nisso minha filha já é muito bonita.

Mas também sei que realizar um sonho pode fortalecer a autoestima e abrir novos caminhos.

Por isso continuo acreditando que, no tempo certo, Deus abrirá as portas.

Minha filha talvez nunca compreenda completamente o tamanho do orgulho que sinto.

Não apenas pela atleta que está se tornando. Mas, principalmente, pela pessoa.

Meu maior sonho nunca foi vê-la levantar um troféu. Meu maior sonho é vê-la feliz.

Com saúde. Perto de Deus. Vivendo uma vida digna.

Construindo uma linda família. E sendo lembrada pelas qualidades do seu coração.

Se um dia ela ler estas páginas, quero que saiba de uma coisa:

Filha, talvez eu não tenha conseguido lhe dar tudo aquilo que sonhei.

Talvez eu tenha cometido erros ao longo da sua criação.

Talvez tenha faltado tempo, dinheiro ou oportunidades.

Mas nunca faltou amor. Você sempre foi, e sempre será, uma das maiores bênçãos que Deus colocou na minha vida.

Tenho muito orgulho de ser o seu pai. E sempre estarei aqui, torcendo por você, em qualquer fase da sua caminhada.

Capítulo 3

Filipe – O meu primeiro filho

“A distância pode separar pessoas, mas nunca diminui o amor verdadeiro de um pai.”

Meu primeiro filho é o Filipe.

Falar sobre ele é falar de uma parte muito importante da minha história.

A vida nem sempre segue os caminhos que planejamos.

Às vezes, as circunstâncias nos levam por estradas diferentes daquelas que gostaríamos de percorrer. Foi assim que aconteceu conosco.

As situações vividas durante o meu primeiro casamento dificultaram muito a nossa convivência.

Talvez uma das maiores dores que eu carregue seja justamente não ter conseguido estar tão presente quanto sonhava.

Perdi momentos que nenhum pai gostaria de perder.

Sinto falta das conversas. Da convivência. Dos almoços em família. Dos passeios.

Das experiências simples do dia a dia. Sinto falta da oportunidade de ensinar algumas coisas da vida e, ao mesmo tempo, aprender com ele.

Gostaria de conhecer ainda mais seus pensamentos, seus sonhos, seus desafios e a forma como enxerga o mundo. Apesar da distância que a vida acabou impondo entre nós, o amor nunca mudou. O nascimento da minha netinha Maitê, filha do Filipe e da Joice, trouxe uma alegria imensa ao meu coração.

Mais uma princesa enviada por Deus para fazer parte da nossa família. Ao mesmo tempo, aumentou ainda mais o desejo de estarmos próximos.

Gostaria de participar mais da vida deles. De acompanhar o crescimento da Maitê. De criar lembranças que ela possa guardar para sempre. Meu coração se alegra quando vejo que eles estão bem. Mas também sente falta dos momentos que não conseguimos viver juntos.

A distância, os compromissos e, muitas vezes, as dificuldades financeiras tornam nossos encontros mais raros do que eu gostaria. Mesmo assim, o amor continua exatamente o mesmo. Como pai, sempre desejei poder oferecer mais. Gostaria de ter condições de ajudá-lo ainda mais. Quem sabe comprar uma casa para ele.

Contribuir para que realizasse alguns sonhos. Deixar algo que o fizesse sentir orgulho de mim. Infelizmente, nem sempre a vida permite que façamos tudo aquilo que desejamos.

Confesso que isso, às vezes, dói. Mas aprendi que o amor de um pai não se mede pelo valor das coisas que consegue comprar. O verdadeiro amor está na intenção.

Na preocupação. Na torcida silenciosa. Na oração feita todos os dias, pedindo a Deus que proteja aqueles que amamos. Nunca deixei de orar pelo Filipe.

Nunca deixei de pedir que Deus o abençoasse, lhe desse saúde, sabedoria e felicidade. Meu maior desejo sempre foi vê-lo bem. Com uma família unida. Com paz no coração. Com saúde para trabalhar e realizar seus sonhos.

Se existe algo que aprendi ao longo da vida, é que o tempo passa depressa. Por isso, não quero guardar arrependimentos. Prefiro guardar esperança. Espero que Deus ainda nos conceda muitos momentos juntos. Momentos simples. Uma conversa sem pressa. Um almoço em família. Um abraço. Uma risada. Uma lembrança construída lado a lado.

Porque são essas pequenas coisas que, no futuro, se tornam as maiores riquezas da nossa memória.

Quero que o Filipe saiba que sempre terá um pai que torce por ele. Um pai que ora por ele.

Um pai que se alegra com suas conquistas. E um pai que nunca deixará de amá-lo.

Se um dia ele ler estas páginas, espero que compreenda que a vida nem sempre nos permitiu estar tão próximos quanto eu desejava. Mas nunca houve um único dia em que ele deixasse de morar no meu coração. Meu filho, talvez eu não tenha conseguido lhe dar tudo aquilo que sonhei.

Talvez eu tenha falhado em alguns momentos. Talvez eu pudesse ter feito algumas escolhas diferentes. Mas existe uma coisa da qual tenho absoluta certeza:

Nunca deixei de amar você.

Hoje, ao olhar para a minha família, percebo que Deus continua escrevendo nossa história.

E peço apenas uma coisa:

Que Ele nos conceda muitos anos de convivência, para recuperarmos, com carinho e serenidade, parte do tempo que a vida levou.

Porque nunca é tarde para fortalecer os laços entre um pai e um filho.

Enquanto Deus me conceder vida, esse continuará sendo um dos meus maiores desejos.

Capítulo 4

Chrystian – Muito além do futebol

“Existem sonhos que um pai sonha junto com o filho.”

O que dizer do meu filho Chrystian Barletta?

Talvez uma das maiores alegrias da minha vida seja olhar para trás e lembrar da caminhada que construímos juntos.

Desde muito cedo percebi que ele tinha talento para o futebol.

Como pai, procurei fazer tudo o que estava ao meu alcance para ajudá-lo a perseguir esse sonho. Dediquei tempo. Estudei. Pesquisei.

Procurei aprender sobre futebol, categorias de base, formação de atletas e tudo o que pudesse contribuir para o seu desenvolvimento.

Queria orientá-lo da melhor maneira possível. Mas nossas lembranças vão muito além do futebol. Quando penso nele, não lembro apenas dos jogos. Lembro das nossas brincadeiras.

Das partidas de futebol na rua, na praia e nos campinhos do bairro. Das pescarias. Das pipas.

Das competições que eu inventava para desenvolver sua confiança e seu espírito competitivo. Lembro dos treinos de chute. Dos desafios que criávamos juntos. Dos conselhos. Das conversas. Das orientações sobre a vida e sobre a importância de cuidar bem do dinheiro. Lembro também das broncas. Porque educar também significa corrigir quando necessário.

E existe uma lembrança que sempre me faz sorrir. Aquela cena no cartório, quando, sem querer, soltei um pum. Até hoje dou risada ao lembrar daquele momento. Assim como nunca esqueço da lotérica e da frase que ficou marcada na nossa memória:

“Aquele homem comeu tudo.”

São acontecimentos simples. Talvez sem importância para muitas pessoas. Mas, para mim, são lembranças que valem mais do que qualquer patrimônio material. São essas histórias que carregarei para sempre no coração. Meu objetivo nunca foi apenas ajudá-lo a se tornar um jogador de futebol. Meu maior sonho era formar um homem de caráter.

Queria que ele fosse respeitado dentro e fora de campo. Queria que tivesse valores.

Humildade. Honestidade. Respeito pelas pessoas. E, acima de tudo, que nunca perdesse sua essência. Também sonhava em ter um parceiro para a vida inteira. Um filho com quem eu pudesse conversar sobre qualquer assunto.

Um amigo.

Graças a Deus, grande parte desse sonho se realizou. Hoje sinto um orgulho enorme ao acompanhar sua trajetória. Ver seu talento sendo reconhecido é uma alegria difícil de explicar. Sempre que posso, acompanho seus jogos. Não gosto de perder nenhum. Muitas vezes recebo convites para sair justamente nos dias em que ele vai jogar. Minha resposta quase sempre é a mesma:

“Hoje não posso. Tem jogo do meu filho.”

E não é apenas porque ele é meu filho. É porque admiro o jogador que vi crescer. Assim como milhões de pessoas admiram Neymar, Cristiano Ronaldo ou Messi, eu também admiro o Barletta. Porque conheço a história que existe por trás de cada partida.

Conheço os sacrifícios. Os treinos. As dificuldades. As renúncias. As lágrimas. As vitórias e as derrotas. Conheço o menino que existia antes do atleta.

Nunca esperei nada em troca por tudo o que fiz. Sempre acreditei que o amor verdadeiro não deve criar cobranças. Tudo o que fiz foi porque queria vê-lo feliz. Mas confesso que, como qualquer pai e como qualquer torcedor, imaginava viver alguns momentos especiais ao lado dele. Quem sabe guardar uma camisa usada em um jogo importante.

Uma bola autografada. Uma fotografia. Um ingresso de uma final. Ou simplesmente estar presente em alguma apresentação marcante da sua carreira.

Talvez isso pareça pouco para algumas pessoas. Mas, para quem ama, pequenos gestos se transformam em grandes lembranças. Também compartilhamos sonhos que pareciam distantes. Sonhávamos com uma casa onde toda a família pudesse se reunir. Um campo de futebol para jogar com os amigos. Talvez um sítio. Quem sabe uma fazenda.

Até uma viagem para a Europa fazia parte das nossas conversas. Sonhos simples.

Sonhos de pai e filho. Hoje ele construiu sua própria família. E isso me enche de alegria. Tenho muito carinho pela esposa dele. Também sinto uma enorme saudade dos meus netos. Gostaria de participar mais da vida deles. De acompanhar seu crescimento.

De brincar. De contar histórias. De fazer um churrasco em família. De sentar à mesa sem pressa. De conversar. De rir. De criar lembranças que eles levarão para a vida inteira.

Talvez esse seja um dos maiores desejos que ainda guardo no coração. Reconheço que a vida nos levou por caminhos diferentes. Também reconheço que nossa relação talvez não tenha seguido exatamente como eu imaginava. Pode ser que eu tenha cometido erros.

Pode ser que existam mágoas que eu nunca tenha compreendido completamente. Se isso aconteceu, peço perdão. Jamais foi minha intenção ferir quem eu mais amo. Mas existe uma coisa que nunca mudou. Meu respeito. Sempre respeitei as escolhas dos meus filhos. Nem sempre concordei com todas elas. Mas nunca deixei de respeitá-las. Porque cada pessoa precisa construir a própria história.

Às vezes também me pergunto se, em algum momento, passei a imagem de alguém difícil de conviver. Não sei. Talvez essa resposta apenas meus filhos possam dar.

O que sei é que nunca deixei de amá-los. Minha vida sempre foi marcada pelo trabalho.

Trabalhei muito. Lutei muito. Desde criança aprendi que nada vinha fácil. Fui praticamente criado na rua. Foi ali que aprendi muitas das lições que carrego até hoje. Passei por dificuldades financeiras. Como diz o velho ditado, muitas vezes foi preciso “vender o almoço para comprar a janta.”

Nunca tive uma vida fácil. Mas nunca deixei de acreditar. Nunca deixei de sonhar. E nunca deixei de amar meus filhos. Se um dia o Chrystian ler este capítulo, quero que saiba de uma coisa. Meu orgulho por você nunca esteve apenas no futebol.

O futebol pode terminar um dia. A carreira também. Mas aquilo que realmente importa permanecerá para sempre. Seu caráter. Sua família. Sua honestidade. Sua fé. Essas serão as maiores vitórias da sua vida. Muito obrigado pelos momentos que vivemos juntos. Obrigado pelas alegrias. Pelas risadas. Pelas lembranças que guardarei para sempre.

Independentemente do caminho que a vida ainda nos reserve, você continuará sendo um dos maiores presentes que Deus colocou na minha caminhada.

E sempre que alguém me perguntar qual foi uma das maiores realizações da minha vida, responderei sem pensar duas vezes:

Ter tido o privilégio de ser o pai do Chrystian Barletta.

Capítulo 5

O que carrego no coração

“Quem ama nunca acredita que fez o suficiente.”

Ao longo da vida, aprendi que o maior peso que um pai e um marido carregam não é o trabalho, nem as dificuldades financeiras.

O maior peso é a sensação de que poderíamos ter feito mais pelas pessoas que amamos.

Se existe uma tristeza que, às vezes, visita meu coração, é justamente essa.

A sensação de não conseguir oferecer tudo aquilo que eu gostaria à minha esposa, aos meus filhos, aos meus netos e às pessoas que fazem parte da minha vida.

Se fosse possível, daria a minha própria vida para garantir que todos eles tivessem um futuro cheio de saúde, felicidade, paz e realizações.

Como marido, sempre quis proporcionar mais conforto.

Como pai, sempre sonhei em abrir portas para meus filhos.

Como avô, gostaria de estar mais presente e participar da construção das lembranças dos meus netos. Nem sempre consegui. A vida nem sempre permite que realizemos todos os nossos sonhos.

Muitas vezes fui além das minhas forças. Trabalhei mais do que meu corpo suportava. Aceitei desafios. Mudei de cidade. Passei longos períodos longe de casa. Tudo isso movido por um único objetivo: cuidar da minha família.

Mesmo assim, em alguns momentos ainda sinto que eles mereciam muito mais do que consegui oferecer. Talvez esse seja um sentimento comum a todo pai que ama de verdade.

Porque quem ama nunca acredita que fez o suficiente.

Com o passar dos anos, comecei a entender que a vida é muito diferente daquilo que imaginamos quando somos jovens. Quando somos mais novos, acreditamos que felicidade está nas grandes conquistas.

No sucesso. No dinheiro. Nos bens materiais. Hoje penso diferente. Descobri que a verdadeira riqueza está nos pequenos momentos. Está em um abraço sincero. Em uma conversa sem pressa. Em uma refeição compartilhada. Em um telefonema inesperado. Em um sorriso. Em uma oração feita em família.

São essas lembranças que permanecem quando o tempo passa. O dinheiro vai embora. Os bens ficam para trás. O trabalho termina. Mas as pessoas permanecem em nosso coração. Existem coisas que ainda gostaria de acertar. Palavras que ainda gostaria de dizer. Abraços que ainda gostaria de dar. Momentos que ainda sonho viver. Talvez Deus ainda me conceda muitos anos.

Talvez apenas alguns. Ninguém sabe. Por isso, aprendi que nunca devemos adiar o amor.

Nunca devemos deixar para amanhã um pedido de perdão. Um agradecimento. Um abraço.

Uma visita. Ou uma palavra de carinho. O tempo não volta.

Hoje compreendo isso com muito mais clareza.

Ao olhar para trás, vejo um homem cheio de limitações.

Um homem que errou. Que acertou. Que tomou decisões boas e outras nem tanto.

Mas também vejo alguém que nunca deixou de lutar.

Nunca deixou de acreditar. Nunca deixou de trabalhar. E, principalmente, nunca deixou de amar. Se algum dos meus filhos ler este livro, quero que saiba que jamais existiu um único dia em que eu deixasse de pensar em vocês.

Talvez eu não tenha demonstrado da melhor maneira.

Talvez o excesso de trabalho tenha ocupado o tempo que deveria ter sido dedicado à convivência.

Talvez eu tenha falhado em momentos importantes.

Reconheço isso. Mas nunca faltou amor. Tudo o que fiz foi tentando construir um futuro melhor para a nossa família. Sei que nem sempre consegui.

Mas Deus conhece meu coração.

E isso me traz paz. Também quero dizer algo aos meus netos. Talvez, quando vocês lerem estas páginas, eu já tenha cabelos completamente brancos.

Ou talvez Deus já tenha me chamado para junto d’Ele.

Se isso acontecer, quero que saibam de uma coisa. Vocês sempre foram motivo de alegria para mim. Mesmo quando a distância dificultou nossa convivência. Mesmo quando os encontros foram poucos. Sempre carreguei cada um de vocês dentro do meu coração.

Gostaria que vocês lembrassem do avô não pelos presentes que deu, mas pelo amor que sentia.

Porque o amor permanece. Os presentes passam. Ao longo da minha caminhada também aprendi que ninguém consegue construir uma vida sozinho. Todos nós precisamos de alguém. Precisamos da família.

Dos amigos. Da fé. Do apoio de Deus. Foi essa certeza que me sustentou nos momentos mais difíceis. Nunca fui um homem perfeito.

Nunca serei. Mas sempre procurei viver com honestidade.

Respeitar as pessoas. Cumprir minha palavra.

Trabalhar com dignidade. Ajudar quem estivesse ao meu alcance.

E agradecer a Deus por cada oportunidade.

Hoje, se pudesse deixar apenas uma mensagem para meus filhos e meus netos, ela seria muito simples. Amem a família de vocês.

Valorizem seus pais enquanto eles estão presentes.

Conversem mais. Perdoem mais.

Abracem mais. Digam “eu te amo” com mais frequência.

O tempo passa muito mais rápido do que imaginamos.

Não esperem a saudade ensinar o valor da presença.

A vida me mostrou que o verdadeiro patrimônio de uma pessoa nunca será aquilo que ela acumulou.

Será sempre o amor que conseguiu plantar no coração das pessoas.

É esse patrimônio que espero deixar para aqueles que amo.

Porque, quando tudo passa, é o amor que permanece.

E é exatamente esse amor que carrego no coração.

Capítulo 6

Minhas Raízes

“Nenhuma árvore permanece firme sem raízes profundas. Tudo o que sou começou muito antes de mim.”

Quando olho para a minha vida, percebo que muito do homem que me tornei nasceu dentro da minha própria família.

Foi com meus pais que aprendi os primeiros valores.

Foi convivendo com minha irmã que descobri a importância da união.

Foi enfrentando dificuldades que compreendi o verdadeiro significado da palavra dignidade.

Se hoje valorizo tanto a família, o trabalho e a fé em Deus, é porque tudo isso começou lá atrás.

Nas minhas raízes.


Minha mãe

“Foi ela quem me ensinou que riqueza não mora no bolso, mora no coração.”

Minha mãe foi uma mulher simples.

Estudou apenas até a quinta série, mas possuía uma sabedoria que nenhuma escola consegue ensinar.

Era humilde.

Generosa.

Carinhosa.

Sempre pronta para ajudar quem precisasse.

Mesmo quando tínhamos poucos recursos financeiros, nunca deixou faltar amor dentro de casa.

Acho que eu e minha irmã herdamos muito desse jeito dela.

Tenho muito orgulho da mulher que foi.

Tive o privilégio de cuidar dela até os últimos dias de sua vida.

Essa é uma das maiores bênçãos que Deus me concedeu.

Guardo muitas lembranças daqueles anos.

Lembro de levá-la à igreja.

Depois voltava para buscá-la quando terminava meus compromissos.

Lembro das idas à feira.

Eu a deixava de carro e retornava mais tarde para levá-la para casa.

Hoje, olhando para trás, penso que poderia ter aproveitado ainda mais aqueles momentos.

Talvez caminhar ao seu lado entre as barracas.

Conversar sem pressa.

Ouvir mais suas histórias.

Na correria da vida, nem sempre percebemos que os momentos simples serão aqueles de que mais sentiremos saudade.

Passamos por muitas dificuldades financeiras.

Lembro que minha mãe costumava ir à feira perto do horário de encerramento.

Muitos feirantes deixavam frutas e verduras que ainda estavam boas para consumo.

Ela recolhia aquilo com dignidade.

Nunca houve vergonha nisso.

Havia coragem.

Havia humildade.

Havia o amor de uma mãe fazendo tudo o que podia para alimentar seus filhos.

Hoje compreendo o tamanho daquele gesto.

E quanto mais o tempo passa, maior fica a admiração que sinto por ela.


Meu pai

“Foi ele quem me ensinou que honestidade vale mais do que qualquer riqueza.”

Meu pai foi um homem trabalhador.

Responsável.

Honesto.

Nunca teve riquezas.

Sua maior riqueza sempre foi sua disposição para trabalhar e sustentar a família.

Quando meus pais se separaram, eu tinha aproximadamente 14 anos.

Foi uma separação tranquila, sem grandes conflitos.

Mesmo seguindo caminhos diferentes, ele nunca deixou de cumprir seu papel de pai.

Continuou ajudando no sustento da casa. Sempre aparecia para saber como estávamos.

Foi com ele que aprendi o valor da responsabilidade. Muito cedo precisei trabalhar. Puxei carrinho de ferro-velho.

Fui pegador de bolinhas de tênis. Office-boy. Fiz tudo o que aparecia para ajudar minha mãe e minha irmã.

Naquela época não existia espaço para reclamar.

Era preciso trabalhar. Hoje percebo que boa parte do homem que me tornei nasceu justamente dessas dificuldades.

Tenho muito orgulho do meu pai. Gostaria que ele ainda estivesse aqui.

Tenho certeza de que sentiria orgulho da família que construí.

Gostaria que ele conhecesse melhor meus filhos, meus netos e pudesse participar um pouco mais da história que continuou depois dele.

Essa saudade permanece comigo.


Minha irmã

“Algumas pessoas nasceram para cuidar dos outros.”

Minha irmã é uma das pessoas mais generosas que conheço.

Ela lembra muito nossos pais. Possui um coração enorme. Está sempre preocupada com quem precisa de ajuda. Muitas vezes coloca as necessidades dos outros acima das próprias.

Confesso que, às vezes, fico preocupado. Penso que ela poderia viver com menos dificuldades se pensasse um pouco mais nela mesma.

Mas também sei que Deus cuida daqueles que têm um coração bom. Tenho muito orgulho dela. Gostaria de estar mais presente.

Gostaria de ajudá-la mais. Principalmente financeiramente.

Infelizmente nem sempre consigo. Mas nunca deixo de torcer por sua felicidade.


Meu sobrinho Israel

“A saudade é a forma que o amor encontra para permanecer.”

Meu sobrinho Israel partiu cedo demais. Hoje acredito que está ao lado do Senhor.

Guardo muitas lembranças boas dele. Era alegre. Divertido. Gostava de conversar.

Sempre me procurava para pedir opinião sobre seus negócios. Isso me fazia sentir útil. Sentia que confiava em mim. Sinto falta das nossas conversas. Das brincadeiras. Das risadas.

A vida o levou cedo demais. Mas as boas lembranças permanecem vivas dentro do meu coração.


Minha sobrinha Sara

“Acompanhar o crescimento de quem amamos também é uma forma de felicidade.”

Que saudade tenho da Sara. Desde pequena sempre foi sorridente. Carinhosa. Alegre.

Ao longo dos anos criou o hábito de me procurar para pedir conselhos. Às vezes era para revisar um currículo. Outras vezes apenas para ouvir uma opinião. Sempre gostei desses momentos. Ela é uma mulher guerreira. Trabalhadora. Determinada.

Tenho orgulho da pessoa que se tornou. Gostaria de ser um tio mais presente. Gostaria de ajudá-la ainda mais em sua caminhada profissional e pessoal.

Ela é muito querida por toda a nossa família. Especialmente pela Débora e pela Julieann.

Ocupa um lugar muito especial no meu coração.


Meu cunhado Paraná

“Os homens de caráter não precisam aparecer. Basta viverem com dignidade.”

Meu cunhado Paraná é um homem trabalhador.

Honesto.

Dedicado à família.

Há muitos anos cuida da minha irmã com responsabilidade e carinho.

Tenho muito respeito por ele.

Gostaria de poder ajudá-lo mais.

Aliviar um pouco das responsabilidades que carrega.

Nem sempre isso é possível.

Mas faço questão de registrar aqui a admiração que sinto por ele.


O legado que recebi

Quando olho para todas essas pessoas, compreendo que nenhuma delas deixou grandes fortunas. Mas todas deixaram algo muito maior. Valores. Exemplos. Caráter. Honestidade. Humildade. Amor pela família.

Essas foram as maiores heranças que recebi. E talvez sejam também as maiores heranças que eu possa deixar para meus filhos e meus netos. A vida passa. O dinheiro passa. Os bens materiais ficam para trás. Mas os exemplos permanecem. Se hoje procuro viver com honestidade, trabalhar com dignidade, respeitar as pessoas e acreditar em Deus, é porque alguém me ensinou esse caminho. E esse aprendizado começou dentro da minha própria casa. Nas minhas raízes.

Sou profundamente grato a Deus pelos pais que tive, pela irmã que tenho e por cada pessoa da minha família que ajudou a escrever a minha história.

Porque ninguém constrói uma vida sozinho.

Todos nós somos um pouco daquilo que recebemos daqueles que vieram antes de nós.

Capítulo 7

Minha caminhada com Deus

“A fé não elimina as dificuldades da vida. Ela nos dá forças para atravessá-las.”

Ao longo da minha vida, enfrentei muitos desafios.

Passei por dificuldades financeiras.

Vi portas se fecharem. Trabalhei duro. Errei. Acertei. Sorri. Chorei. Mas, em nenhum desses momentos, deixei de acreditar que Deus estava cuidando de mim. Nem sempre compreendi Seus planos. Houve momentos em que me perguntei por que algumas coisas aconteciam.

Por que alguns sonhos demoravam tanto para se realizar.

Por que determinadas portas permaneciam fechadas.

Com o tempo aprendi que Deus enxerga muito além daquilo que nós conseguimos ver.

Hoje compreendo que muitas dificuldades serviram para me tornar mais forte. Mais paciente. Mais humilde. Mais dependente d’Ele.

Existe um hábito que adotei há muitos anos e que faz parte da minha vida.

Todos os dias, ao acordar, antes de qualquer outra coisa, ajoelho-me para conversar com Deus.

Minha oração é simples. Não peço riquezas. Não peço fama. Não peço sucesso. Apenas agradeço. E faço uma pergunta que se tornou parte da minha caminhada:

“Senhor… o que mais de bom o Senhor vai fazer hoje?”

Depois disso, entrego meu dia em Suas mãos.

Aprendi que confiar em Deus não significa cruzar os braços.

Pelo contrário.

Significa continuar trabalhando.

Continuar lutando.

Continuar acreditando.

Mesmo quando tudo parece difícil.

Há uma frase que guardo com muito carinho no coração.

Em um dos momentos mais difíceis da minha vida, senti como se Deus me dissesse:

“Aguenta firme. Veja tudo o que você precisou enfrentar para se tornar forte. Essas são apenas mais algumas barreiras que você ainda vai superar.”

Talvez essa frase nunca tenha sido dita em voz alta.

Mas ela permanece viva dentro de mim.

E continua me fortalecendo.

Ao longo da vida também encontrei muito conforto na Palavra de Deus.

Existem versículos que sempre me acompanharam e ajudaram a orientar minhas decisões.

Um deles está em Provérbios 17:13:

“Quem retribui o bem com o mal jamais afastará o mal da sua casa.”

Esse ensinamento me faz refletir sobre a importância da gratidão, do perdão e da reconciliação.

Responder ao bem com o mal apenas prolonga o sofrimento.

Outro texto que sempre me chamou a atenção está em 2 Timóteo 3:1-2.

O apóstolo Paulo alerta que, nos últimos dias, muitas pessoas seriam egoístas, orgulhosas, ingratas, desobedientes aos pais e distantes de Deus.

Quando observo o mundo de hoje, percebo como essas palavras continuam atuais.

Vivemos tempos em que o individualismo cresce e, muitas vezes, a família perde espaço.

Por isso acredito que nunca foi tão importante valorizar os pais, os filhos, os avós e aqueles que caminham ao nosso lado.

Também procuro guardar no coração o ensinamento de Romanos 15:1:

“Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.”

Esse versículo sempre me lembra que viver não é pensar apenas em nós. É estender a mão. É ajudar. É compreender. É carregar um pouco do peso de quem está cansado. Talvez eu nunca tenha conseguido fazer tudo isso da maneira perfeita.

Mas sempre procurei caminhar nessa direção. Hoje olho para trás e vejo uma vida simples. Sem grandes riquezas. Sem luxo. Sem fama. Mas cheia de histórias. Cheia de pessoas que marcaram minha caminhada. Cheia de aprendizado.

Acima de tudo, cheia da presença de Deus.

Se eu pudesse deixar apenas um conselho para meus filhos, meus netos e para qualquer pessoa que um dia leia estas páginas, seria este:

Nunca percam a fé. Confiem em Deus. Amem sua família. Trabalhem com honestidade. Perdoem. Agradeçam. Façam o bem sempre que puderem.

Porque, no final da vida, são essas coisas que realmente permanecerão.


Epílogo

Cheguei ao fim destas páginas com o coração em paz.

Talvez eu não tenha contado tudo.

Talvez algumas lembranças tenham ficado guardadas.

Outras talvez eu tenha preferido deixar apenas entre mim e Deus.

Mas aquilo que realmente importava ficou registrado.

Escrevi estas páginas porque senti vontade de deixar um pedaço da minha história para aqueles que amo. Não para ser admirado. Não para parecer um exemplo.

Muito menos para mostrar uma vida perfeita. Escrevi porque acredito que toda família merece preservar sua história. Se algum dia meus filhos, meus netos ou até meus bisnetos lerem este livro, quero que saibam quem foi o homem por trás dessas palavras.

Fui um homem simples. Cheio de defeitos. Cheio de limitações. Como qualquer pessoa.

Errei muitas vezes. Em outras, acertei. Nem sempre consegui estar presente quando gostaria. Nem sempre consegui oferecer tudo aquilo que sonhei. Mas nunca deixei de amar. Esse talvez seja o maior resumo da minha vida. Amei minha esposa. Amei meus filhos. Amei meus netos. Amei meus pais. Amei minha irmã. Amei minha família.

Também amei meu trabalho.

Amei os amigos que Deus colocou no meu caminho.

E procurei viver de maneira que, quando minha caminhada terminasse, eu pudesse olhar para trás sem vergonha da pessoa que fui. Espero que, quando eu já não estiver mais aqui, minhas palavras continuem lembrando à minha família que o amor vale mais do que qualquer patrimônio material. Que o perdão sempre será melhor do que o orgulho.

Que a presença vale mais do que presentes. Que a honestidade vale mais do que o dinheiro. E que Deus continua cuidando daqueles que confiam n’Ele.

Se algum dia alguém me perguntar qual foi a maior riqueza que construí durante esta vida, minha resposta será sempre a mesma:

Minha família.

Ela foi o meu maior presente. Minha maior motivação. Meu maior aprendizado. Meu maior orgulho. Meu maior patrimônio. Obrigado, meu Deus. Obrigado, minha família.

Obrigado por tudo.


Uma última mensagem

Enquanto houver vida, haverá esperança.

Enquanto houver esperança, haverá motivos para continuar lutando.

Enquanto houver amor, sempre existirá um caminho de volta.

E, enquanto Deus estiver à frente da nossa caminhada, nunca estaremos sozinhos.

“Porque, no fim das contas, o maior patrimônio que um homem pode deixar não são os bens que acumulou, mas o amor que semeou no coração das pessoas.”

Silvio Barletta